Anunciada pelo governo de Santa Catarina, a Via Mar de 145 km terá seis faixas, pedágios e investimento de R$ 7,5 bilhões para ligar Joinville ao Contorno Viário da Grande Florianópolis, com primeira etapa pública de R$ 1 bilhão prevista para 2026 e conclusão estimada em no mínimo três anos.
A Via Mar de 145 km, nova rodovia planejada pelo governo catarinense para ligar Joinville ao Contorno Viário da Grande Florianópolis, deve ter as obras iniciadas no primeiro semestre de 2026. O traçado foi pensado como alternativa à BR-101 em um dos trechos mais congestionados do litoral do Estado, com pistas largas e padrão de velocidade semelhante ao da principal rodovia federal.
Com investimento estimado em R$ 7,5 bilhões, o projeto prevê pista com seis faixas ao longo de toda a extensão, velocidade máxima de 120 km/h, instalação de praças de pedágio e uma primeira etapa de R$ 1 bilhão bancada diretamente pelo governo de Santa Catarina, antes da concessão dos demais trechos em modelo de parceria público-privada.
Rodovia de seis faixas para aliviar a BR-101
Planejada para ter 145 quilômetros de extensão, a Via Mar será uma rodovia de padrão elevado, com seis faixas em sentido duplo em todos os trechos.
A ideia é criar um corredor paralelo à BR-101, ligando o Norte catarinense ao entorno da capital e reduzindo a sobrecarga sobre a atual rodovia federal.
Segundo o projeto, a Via Mar de 145 km vai conectar o entroncamento da BR-101 em Joinville diretamente ao Contorno Viário da Grande Florianópolis, permitindo que parte do tráfego de longa distância e de cargas migre para o novo eixo.
A previsão de velocidade máxima de 120 km/h reforça a intenção de manter o fluxo contínuo e reduzir gargalos em horários de pico e temporadas de verão.
Financiamento de R$ 7,5 bilhões, PPP e pedágios ao longo do traçado
A etapa inicial da obra tem custo previsto de R$ 1 bilhão, totalmente custeada pelo governo de Santa Catarina. Enquanto esse primeiro trecho sai do papel, o Estado prepara a licitação que definirá a empresa responsável pela construção, operação e manutenção dos demais segmentos da Via Mar, em regime de parceria público-privada.
Pelo desenho apresentado, a empresa que vencer a disputa da PPP deverá devolver ao Estado o valor investido na primeira etapa após a formalização do contrato.
Para viabilizar o empreendimento e recuperar o capital aplicado, a concessionária instalará praças de pedágio ao longo da rodovia, cobrando tarifa dos usuários.
Ao todo, a obra está orçada em R$ 7,5 bilhões, somando investimentos públicos e privados.
O governo catarinense argumenta que o modelo permite acelerar a entrega da Via Mar de 145 km sem depender exclusivamente do orçamento estadual, ao mesmo tempo em que transfere à concessionária a responsabilidade pela conservação da pista, das pontes e dos viadutos ao longo do prazo de concessão.
Cinco lotes estruturam a execução da Via Mar
A execução foi dividida em cinco lotes. De acordo com o planejamento, quatro lotes já têm estudos orçados e ordens de serviço assinadas, enquanto o último trecho ainda está em fase de estimativa de custo do projeto executivo.
No Lote 1, com 26,85 quilômetros, a obra vai do entroncamento da BR-101 em Joinville até a BR-280, em Guaramirim.
Estão previstas quatro pontes e dois viadutos, e esse segmento será executado diretamente pelo governo estadual, funcionando como porta de entrada da Via Mar no Norte de Santa Catarina.
O Lote 2 terá 21,09 quilômetros, ligando o entroncamento da BR-280 em Guaramirim até a SC-415, entre Massaranduba e São João do Itaperiú, com a construção de duas pontes e um viaduto.
Já o Lote 3, com 16,77 quilômetros, conecta a SC-415 à SC-414, na região de Luis Alves e Navegantes, incluindo duas pontes e oito estruturas de contenção.
No Lote 4, a Via Mar avança por 25,78 quilômetros, entre a SC-414, em Luis Alves e Navegantes, e o entroncamento da SC-486, em Itajaí. Esse trecho prevê quatro viadutos, quatro pontes e três contenções, consolidando a ligação com o Vale do Itajaí.
O chamado trecho remanescente, com 54,72 quilômetros, fecha o traçado entre o entroncamento da SC-486, em Itajaí, e o Contorno Viário da Grande Florianópolis.
Também estão previstos quatro viadutos, quatro pontes e três contenções, garantindo a continuidade da Via Mar de 145 km até a conexão final com o anel rodoviário da região metropolitana da capital.
Solo mole, passagens elevadas e prazo mínimo de três anos de obras
Os desafios de engenharia são apontados pelo próprio governo catarinense como um dos fatores que explicam o prazo de execução.
Em trechos com solo mole, será necessário construir passagens elevadas e estruturas especiais para evitar recalques e garantir a segurança da pista ao longo do tempo.
Outra preocupação é não represar a água em áreas sensíveis do traçado, exigindo obras de drenagem, pontes e viadutos dimensionados para permitir o escoamento adequado.
De acordo com o governador Jorginho Mello, a equipe técnica afirma que a obra deve levar no mínimo três anos até a conclusão de todo o traçado, considerando as particularidades de cada lote.
O governo afirma que está tomando cuidado para não impactar negativamente atividades já instaladas na região e reforça que o objetivo é, nas palavras do governador, “estourar o crescimento daquela região em Santa Catarina”.

